|
Com o slogan Ajude de Verdade, a Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Sedes), fará o lançamento oficial da campanha que visa fortalecer a rede social de proteção da capital baiana e orientar a sociedade quanto aos riscos de dar esmola, sobretudo para crianças e adolescentes. O evento acontece na segunda-feira (dia 26), às 15 horas, no auditório do Museu Eugênio Teixeira Leal, no Pelourinho.
"Essa primeira etapa será um projeto-piloto, que atingirá os bairros da Pituba, Barra, Centro Histórico e Estação da Lapa", disse o secretário Carlos Ribeiro Soares. Nesses pontos, a Sedes fez um mapeamento das pessoas em situação de rua e com apoio dos comerciantes, associações de moradores, Polícia Militar e Juizado da Infância e Juventude traçou as diretrizes da proposta.
A campanha Ajude de Verdade orienta a população a se informar sobre as maneiras mais eficazes para ajudar na transformação da realidade de vida de meninos e meninas que vivem em situação de risco e vulnerabilidade social. Ao invés de dar esmola, que não ajuda, cria dependência e expõe as crianças a toda sorte de exploração, o cidadão pode contribuir com o Fundo Municipal do Direito da Criança e do Adolescente (FMDCA), fiscalizar a aplicação dos recursos e deduzir o valor do Imposto de Renda devido", reforçou.
Para o secretário, fortalecendo o FMDCA ou fazendo contribuições para entidades que atuam efetivamente com a proposta de inclusão social, a sociedade estará ajudando muito mais. Os especialistas afirmam que a esmola vicia e acomoda as pessoas, tira as crianças da convivência familiar e contribui para que muitas enveredem para o mundo da marginalidade".
Salvador tem o maior cadastro brasileiro de pessoas em situação de risco, que necessitam da ajuda dos Poder Público, através dos programas de transferência de renda. Mais de 136 mil famílias recebem o Bolsa-Família. E para muitas delas, o benefício é a única fonte de renda. A meta do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) da capital baiana é a maior do país, pontuando em 8.933 crianças, ou seja, cinco mil famílias com direito a uma bolsa-auxílio mensal de R$ 40 para cada criança afastada de atividades laborativas, freqüentando a escola e as atividades socioeducativas em período oposto ao da aula.
Idosos e pessoas com deficiência têm direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Programa Agente Jovem é desenvolvido em 100 unidades espalhadas por bairros carentes, com o propósito de incentivar o protagonismo juvenil. Foi ampliado o número de Centros de Referência da Assistência Social (Cras), de cinco para 10. São unidades que trabalham com as famílias em suas comunidades de origem para reforçar os laços afetivos, prevenindo situações de desestruturação familiar, dando condições aos seus membros para acessarem os serviços socioassistenciais, criarem autonomia e melhorarem a condição de vida.
Mendincância
A campanha pretende chamar a atenção da sociedade civil organizada sobre o mal causado às crianças e aos adolescentes quando são obrigados a permanecerem nas ruas pedindo esmolas. Os relatos ouvidos pelos agentes sociais da Sedes evidenciam essa situação, onde crianças são obrigadas a mendigar ou trabalhar para levar dinheiro para casa. "A exploração infantil é um mal que precisa ser combatido e quando alguém dá esmolas a uma criança que está na rua, na sinaleira, ou compra algum produto vendido por meninos e meninas, está contribuindo com a exploração infantil", alerta o secretário.
Os técnicos da Sedes fazem diariamente ações de abordagem e acolhimento da população de rua, porém não podem obrigar ninguém a sair da rua. "Muitos, pelo histórico de vida, estão descrentes quanto à possibilidade de transformação da realidade em que vivem. Outros têm residência, mas insistem em permanecer na rua pelas possibilidades de ganhos através da mendicância", observou o coordenador de Programas Assistenciais da secretaria, o sociólogo Adilton Roque. "A comunidade deve ser nossa parceira na tentativa de reverter esse quadro", clama Sara Almeida, coordenadora de Programas de Desenvolvimento Social e presidente do Conselho Municipal da Assistência Social (CMAS).
As mensagens da campanha estarão em outdoors, busdoors, emissoras de rádios, cartazes, mobiliário urbano, gradis e panfletos distribuídos em locais estratégicos do projeto-piloto. O telefone (71) 3321-2835 e o e-mail
Este endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
estarão disponíveis para orientar a população a melhor forma de ajudar.
|