Salvador foi a primeira cidade fundada no Brasil, em 29 de março de 1549, pelo governador-geral, Tomé de Sousa. Os três principais motivos para o reino estabelecer um Governo Geral em sua colônia menos lucrativa foram: ocupação e defesa do espaço brasileiro, até então a mercê de traficantes e cobiçado por outros reinos europeus (como França e Espanha); sonho de encontrar riquezas minerais na América; e fiscalização da coleta de impostos, antes responsabilidade dos donatários. E qual seria o lugar ideal para fundar a cidade? Em ordens expressas no Regimento Régio, recebido por Tomé de Sousa - um plano detalhado de como deveria se dar a ocupação militar e a exploração colonial do Brasil - estava determinado pelo rei D. João III que a cidade-fortaleza não deveria ocupar o espaço da antiga Vila do Pereira (hoje região do Porto da Barra) e se erguer “mais para dentro da baía (...), em sítio sadio e de bons ares e que tenha abastança de águas e porto em que bem possam amarrar os navios”. Então, Tomé de Sousa buscou o lugar ideal até encontrar a região onde hoje estão, na parte baixa, o Porto de Salvador e o bairro do Comércio e, na parte alta, a Praça Municipal, seguindo até a região do Pelourinho e, do outro lado, até onde hoje se situa a Praça Castro Alves. Segundo o presidente da Fundação Gregório de Mattos, Paulo Costa Lima, apesar da beleza do local, foi, com certeza, uma decisão estratégica, a fundação da sede do governo no alto, onde poderiam ser avistados os navios que aqui chegavam. “Hoje, a estátua de Tomé de Sousa está lá na Praça Municipal, de frente para o mar, simbolicamente vendo todos que ainda chegam à baía”. A partir daí, destacou Paulo Lima, o que se formou na cidade de São Salvador foi um lugar de encontro de civilizações, um projeto cultural da convivência de raças indígenas, africanas e européias que formaram um povo singular, conhecido por sua irreverência e simplicidade no modo de viver. Mensagem do prefeito Sobre o aniversário de Salvador, o prefeito João Henrique passou uma mensagem de esperança, fé e muito trabalho para transformar a cidade, levando-a ao desenvolvimento social. “Não é possível que Salvador continue sendo a capital do desemprego. Nós não vamos dormir. Vamos ficar de olhos abertos para trazer o desenvolvimento para a nossa cidade”, enfatizou. Comemoração dos 459 anos O tema da programação comemorativa de aniversário de 459 anos de Salvador é: "Do acarajé ao mundo digital - abraçando a diversidade". Segundo o presidente da Fundação Gregório de Mattos, o tema do aniversário é um convite para o diálogo com a cultura digital que motivará um ciclo de debates, tendo como perspectiva a capital baiana. "O aniversário é uma excelente oportunidade para celebrar a diversidade que nos constitui como lugar cultural único; lugar de encontro entre civilizações oriundas dos quatro cantos do mundo, sinapse entre tradição e contemporaneidade, entre a preservação dos melhores valores e a reinvenção de caminhos e oportunidades". Além disso, segundo a presidente da Associação das Baianas de Acarajé e Mingau do Estado da Bahia, Leda Marques, a baiana de acarajé será homenageada, por ser a figura da mulher que resiste, garantindo a sobrevivência dos seus e, com isso, fazendo resistir a cultura afro-baiana. Uma ênfase especial será dada à gastronomia, representada pelo acarajé. "A iniciativa é um incentivo para as baianas que estão aí, resistindo há tanto tempo". Para comemorar o aniversário de 459 anos da cidade, a Fundação Gregório de Mattos preparou uma agenda de eventos culturais durante todo o mês de março. Desde o dia 07 acontecem na cidade exposições de livros, documentos históricos, cinema, fotos, e lançamento de CDs, entre outros. No dia 28, véspera do aniversário, a passagem da Família Real Portuguesa no Brasil estará registrada na Exposição a Céu Aberto, com 32 painéis espalhados pelo Campo Grande, reproduzindo obras assinadas por vários artistas. A mostra é resultado de uma parceria entre a FGM e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. No sábado (29), dia do aniversário, pela manhã, acontece o Seminário “Perspectivas da cultura popular urbana”. À tarde tem o Festival das Baianas - Homenagem às baianas do acarajé; o Encontro das Filarmônicas e Fanfarras e o show de MV Bill na Praça Thomé de Sousa.